Samba e Cidadania

Samba e Cidadania

Trabalho para o ano inteiro!

Ahh o carnaval! O momento mais esperado do ano! Aquele período em que se abre o portal da alegria e criatividade e a galera se joga na folia! É uma delícia de ver o povo fantasiado pela rua, cantando, dançando e se divertindo como se não houvesse o amanhã! É realmente uma festa incrível!

Muito dessa festa é também proporcionada pelo desfile das escolas de samba, seja o desfile das gigantes do grupo especial ou dos grupos de acesso é sempre um espetáculo e tanto. Mas o que, de repente, muita gente não sabe é da força das escolas de samba como transformador social.

Escolas de samba só aparecem no Carnaval? Não, elas têm vida nos 365 dias do ano, trabalhando em projetos sociais, que são referência para as comunidades, pois fazem desde encaminhamento médico à qualificação profissional, de olho no futuro dos moradores da comunidade onde estão sediadas.

Estas ações contemplam acesso à diversas atividades culturais; de lazer; esportes; ensino básico, fundamental, médio e profissionalizante; acompanhamento médico, odontológico e psicológico; além de filantropia,  e constituem um importante universo de possibilidades, sobretudo para pessoas de baixa renda e para o público infanto-juvenil, muitas vezes afastando-os das drogas e do crime.

As ações de uma escola de samba ultrapassam, em muito, o senso comum de que estas atuam apenas em função do desfile carnavalesco, são oficinas culturais, aulas de música, dança, artes plásticas, teatro, cursos profissionalizantes, eventos em prol de comunidades carentes, arrecadação e distribuição de brinquedos no natal e dia das crianças, entre outras ações.

A participação nestes projetos sociais não pressupõe que seus beneficiários possuam vínculos com agremiação: nem mesmo as oficinas de instrumentos musicais que compõem a bateria, não garante e muito menos obriga o aluno a participar da bateria oficial da escola, posteriormente.

Desta forma as ações das escolas de samba possuem duas vertentes bem definidas: ações socioculturais e educativas não interferem na preparação do desfile e vice versa. O próprio calendário da escola de samba é planejado de tal forma que às vésperas do desfile, os projetos sociais estejam em recesso.

Escola de samba e Comunidade: reciprocidade e inclusão social

A escola de samba é uma ação cultural que processa e organiza as relações sociais, econômicas e políticas dos que se relacionam no “Mundo do Samba”.

A ligação dos integrantes das comunidades com a escola de samba é intensa e ultrapassa a relação de torcedor. Há uma relação recíproca de pertencimento: o cidadão passa a ser integrante da agremiação, passa a fazer parte dela, assim como a escola passa a ser parte de sua vida.

A interação entre membros de diferentes escolas de samba deixa muito claro que existe verdadeiramente uma comunidade do samba. Ao citar outras escolas os sambistas não usam a expressão “adversárias”, e sim “coirmãs”, afinal a disputa ocorre apenas quando pisam na avenida.

Depois das cinzas da quarta-feira, todos voltam a vestir a camisa do samba em função da inclusão social, buscando sempre juntos melhorias de infraestrutura e principalmente para continuar o trabalho de transformar a vida de quem faz o carnaval acontecer.

casaraofloresta
casaraofloresta@casaraofloresta.com.br
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